A COMUNICAÇÃO DIVINA NO ANTIGO E NOVO TESTAMENTO


por Pastor Leandro Dorneles

 

“Certamente o Senhor JEOVÁ não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3.7).

Nos dias de hoje, muitas pessoas têm usado esse versículo para afirmar sua posição como enviado de Deus e causar uma dependência da igreja a sua autoridade, fazendo-se mediador entre Deus e a Sua Igreja.

É claro que do ponto de vista evangelístico esse verso todo o faz sentido quando o pregador ou o irmão(ã) se torna um mensageiro àqueles que não conhecem a Cristo, revelando-lhes O Caminho, a Verdade e a Vida.

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.” (Romanos 10:14-15)

Mas do ponto de vista “eclesiástico”, ou seja, no sentido da interação entre Deus e a Sua Igreja, isso me soa um tanto presunçoso e sem fundamentação neotestamentária.

Parafraseando as palavras de muitos líderes e pregadores que citam indevidamente o versículo de Amós 3:7 (quando aplicado a Igreja e não ao ímpio), eles estão dizendo o seguinte: Há dois mediadores (???) entre Deus e os homens: o profeta (líder espiritual) e Jesus Cristo. Fica parecendo aquela igreja cristã antiga e tradicional que conhecemos, porém com menos mediadores, uma vez que na tradicional, para ouvir Deus o fiel precisa ir ao sacerdote, que por sua vez irá através da autoridade do sumo sacerdote romano, chegar até os santos, que rogarão a Maria que rogará a Jesus que pedirá ao Pai. (Leia 1 Timóteo 2:5)

Muitos assim o fazem para ter controle sobre a igreja de Cristo, como manipuladores da Palavra, atraindo a glória para si, outros, porém, o fazem por ignorância embora não justifique pois a Palavra de Deus (Bíblia) está disponível para todos, basta lê-la com humildade, coerência e bom senso.

E quando os mediadores não são pessoas ou líderes espirituais, são objetos, velas, amuletos, imagens, mantras, rituais místicos e tantos outros simbolismos que, como diz as Escrituras:

“As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Colossenses 2:23) .

Todas essas coisas são contrárias à verdadeira fé, que é invisível (Heb. 11:1).

Afinal, qual a relação estabelecida entre Deus e a Sua Igreja, segundo o Novo Testamento? Será a mesma estrutura de comunicação do Velho Testamento?

Muitos argumentam com o versículo que diz que Deus não muda e que é o mesmo hoje, ontem e o será para sempre. Verdade, Deus não muda, mas isso diz respeito ao seu caráter e plano de redenção, e não a sua forma de atuação, do contrário Ele não poderia fazer uma “Nova Aliança” mas permanecer na Velha.

A COMUNICAÇÃO DIVINA NO ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento revela-nos, logo no seu primeiro livro (Gênesis), que antes do pecado o homem tinha um relacionamento espiritual com Deus, onde o homem via e ouvia Deus em todo o seu relacionamento. O pecado justamente trouxe essa separação, onde o Espírito do Senhor (o elo da comunicação do homem com Deus) se retira do ser humano por conta da transgressão de Adão e o homem começa a ter dificuldades de ver e ouvir a Deus, até que seu espírito torna-se “apagado”, permanecendo em trevas espirituais.

Deus começa então a comunicar-se com o homem (agora totalmente carnal por conta do pecado) de forma visível, através de rudimentos, como as manifestações visíveis de anjos e seres espirituais representantes da voz de Deus (teofania), através da Lei mosaica, e dos profetas que eram pessoas separadas e ungidas com o Espírito Santo para falar em nome de Deus. Vemos que até mesmo o rei Saul profetizou, isso não porque ele era profeta, mas porque o Espírito do Senhor estava sobre ele, logo, a profecia não depende do cargo, mas da habitação ou habilitação (unção) do Espírito Santo.

Além dessas coisas, Deus ainda usava os elementos da natureza para falar com o ser humano que, agora, unicamente carnal, só pode ouvir a Deus através de rudimentos que afetem diretamente o seu intelecto e não o seu espírito, tais como fogo, vento, terremotos e catástrofes.

Já com aqueles a quem Deus ungia com o Seu Espírito Santo, a comunicação adentrava o campo espiritual, o invisível, e por vezes esses homens ungidos eram arrebatados a uma visão celestial onde o Espírito do Senhor falava-lhes ao seu espírito humano. Foi o caso do profeta Isaías e do profeta Ezequiel, por exemplo.

Como a plenitude do Espírito Santo ainda não havia acontecido, apenas alguns poucos eram ungidos com o Espírito do Senhor e estes tinham a incumbência de serem mediadores entre Deus e o Seu povo, já que ninguém mais podia ouvir a Deus senão pelo Seu Espírito. Estes homens não tinham formação teológica ou qualquer outro critério de capacitação humana para que Deus os escolhessem. Eram muitas vezes pessoas simples, camponeses, criadores de gado, outros eram jovens demais e alguns poucos eram filhos de sacerdotes.

Havia também aqueles em que o Espírito do Senhor vinha esporadicamente sobre eles para entregar alguma mensagem, e depois o Espírito se retirava deles, sem atribuir-lhes um cargo ou função sacerdotal. Até mesmo um animal foi usado pelo Espírito do Senhor para transmitir alguma mensagem ao homem, mostrando que a diferença não está na pessoa eleita, mas no Espírito que nela habita.

Poucos foram os que Deus se agradou em derramar do Seu Espírito, no AT, uma vez que o coração destes era inclinado a buscá-lo, como Enoque, Noé, Davi e outros poucos, homens que temiam e andavam com Deus.

NO NOVO TESTAMENTO

Quando Jesus veio a Terra, a comunicação de Deus com os homens tornaria a ser como antes do pecado, ou seja, o homem teria o seu espírito ressuscitado novamente e passaria a abrigar nele o Espírito Santo de Deus, o elo espiritual entre Deus e os homens.

A condição para isso era a morte de Cristo como expiação e purificação do homem para remissão dos seus pecados, para que o homem, uma vez “justificado” (i.e. declarado justo e não tornado justo) pudesse receber em seu espírito renascido novamente o Espírito do Senhor.

Uma vez que Cristo sobe a Cruz e posteriormente ressuscita, as profecias do Antigo Testamento a respeito da plenitude do Espírito Santo começam a se cumprir e o homem agora redimido e purificado pelo sangue de Cristo (a saber, os que creram Nele) pode novamente voltar a ter sua comunicação original com Deus: espiritualmente.

Logo, aquilo que outrora veio de modo temporário a substituir aquilo que havia se perdido, os rudimentos (coisas visíveis) em lugar do Espírito Santo, agora perde sua razão de ser.

Por isso, a Palavra de Deus declara:

“HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho…” (Hebreus 1:1)

Agora o homem não necessita mais de um sacerdote humano como elo de comunicação com Deus, pois o Espírito Santo que tornou a habitar nele derrama sobre seu espírito renascido, a Sua Unção (habilidade) para ouvir e aprender de Deus por intermédio de Cristo, em outras palavras, do Espírito de Jesus Cristo, o mesmo Espírito Santo, que é também o Espírito da Profecia, o que revela o entendimento espiritual das Escrituras Sagradas (A Bíblia).

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis.” (1João 2:27)

Isto, obviamente, não nos exclui da comunhão e necessidade de aprendermos uns com os outros, uma vez que na Igreja de Cristo, todos (os que nasceram novamente) têm o Espírito Santo em seu interior e tem dons espirituais diferentes distribuídos de forma a que um complete o outro e logo todos sejam edificados, e isso se dá para que haja comunhão e co-dependência de uns com outros, mas não dependência exclusiva.

Para o mundo que não conhece a Deus, somos profetas (porque pregamos a mensagem profética de Deus), somos apóstolos (porque somos enviados por Jesus Cristo e pregar o Evangelho), somos os representantes de Deus (porque temos o testemunho de Cristo em nosso viver). Mas como Igreja, somos todos igualmente irmãos, tão dependentes de Deus e co-dependentes uns dos outros, diferindo-nos apenas na função que nos é dada para edificar-nos uns aos outros e evangelizarmos o mundo.

Não sejamos presunçosos, antes sejamos simplesmente cristãos.

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (2 Coríntios 4:7).

E se você ainda não se converteu a Cristo, busque fazê-lo enquanto há tempo, para que você possa ouvir a voz de Deus, nascer de novo e decidir onde passará a eternidade, se ao lado Dele, ou sem Ele.

Deus te abençoe!

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